O câncer lidera as causas de morte no mundo e, entre as mulheres, o tumor de mama é o mais prevalente, inclusive no Brasil. Seu desenvolvimento decorre de vários fatores, como biológicos e ambientais, com destaque àqueles relacionados à idade, aspectos endócrinos e genéticos.
Outros fatores incluem a exposição a radiações ionizantes em idade inferior a 40 anos, ingestão regular de bebida alcoólica, obesidade, principalmente quando o aumento de peso se dá após a menopausa, e sedentarismo.
Na prevenção primaria, encontram-se as medidas mais simples, relacionadas aos hábitos de vida, controle da obesidade, sedentarismo, alimentação gordurosa e ingestao alcoólica em excesso. Consiste tambem na orientação para que as mulheres realizem a autopalpação das mamas sempre que sentirem-se confortáveis, sem a utilização de técnicas mais especificas. Quando identificado em estágios iniciais, o câncer de mama possui prognóstico mais favorável e elevado percentual de cura.
A obesidade no período de pós-menopausa pode potencializar o risco de câncer de mama, principalmente quando a gordura está localizada na região abdominal. Existem evidências de que os cânceres de mama e endométrio estão associados com o excesso de peso corporal, refletindo também elevada ingestão energética.
Há várias evidências de que a alimentação tem um papel importante nos estágios de iniciação, promoção e propagação do câncer, destacando-se entre outros fatores de risco. Acredita-se que uma dieta adequada poderia prevenir de três a quatro milhões de casos novos de cânceres a cada ano.
Dietas baseadas no consumo de frutas, vegetais, grãos integrais e outras plantas parecem atuar na prevenção e controle, minimizando o impacto do acometimento por esta patologia, em decorrência de muitos compostos fitoquímicos, nutrientes ou não nutrientes, que são excelentes agentes quimiopreventivos, frequentemente encontrados nestes alimentos. Na abordagem ao câncer de mama merecem destaque os ácidos graxos poliinsaturado ômega 3 e linoléico conjugado, as fibras, algumas vitaminas e minerais, e os fitoquímicos.
A maioria dos estudos sugere que a associação entre câncer de mama e gordura é mais dependente do tipo de gordura consumida do que da ingestão total desta. Estudos experimentais têm indicado que os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3, incluindo os ácidos graxos α-linolênico, inibem a formação do câncer de mama, assim como as metástases.
Atualmente, inúmeras publicações têm levantado o papel da fibra na redução do risco de câncer de mama, sugerindo que um aumento do consumo de fibras, ou seja, frutas, vegetais e grãos integrais, podem reduzir o risco deste tipo de câncer. Muitos possíveis mecanismos de ação têm sido sugeridos, sendo o mais provável o que envolve a redução de estrogênios bioativos no sangue.
Entre os micronutrientes mais investigados por sua atuação quimiopreventiva na carcinogênese mamária é importante ressaltar as vitaminas antioxidantes, ou seja, as vitaminas A, C e E, assim como o folato e o selênio. Uma das ações das vitaminas e minerais é a defesa contra as espécies reativas de oxigênio, que são responsáveis por danos ao DNA, regulação da diferenciação celular e, consequentemente, inibição do crescimento de células mamárias cancerígenas.
A soja, bem como seus derivados, são apontados como tendo um efeito protetor em relação às várias formas de câncer. Tendo como possível explicação o seu elevado teor de isoflavona. No entanto, chama-se a atenção para a existência de diferentes grãos de soja, em que a quantidade e os tipos de isoflavonas são distintos.
O Comitê de peritos da World Cancer Research Fund, em associação com o do American Institute for Cancer Research, desenvolveram um painel contendo as principais recomendações, visando a prevenção do câncer. São algumas delas:
👉 Escolher uma alimentação variada e baseada predominantemente em verduras, legumes e frutas, com a utilização mínima de alimentos processados e açúcares simples.
👉 Ingerir mais de sete porções diárias de cereais variados, leguminosas, raízes, tubérculos e verduras. Também, ingerir 5 ou mais porções de frutas e verduras por dia.
👉 O consumo de álcool não é recomendado. Contudo, o limite para o sexo masculino é de dois copos de vinho por dia e um para a sexo feminino.
👉 Limitar o consumo de alimentos gordurosos, principalmente se for de origem animal. Recomenda-se até 30% do Valor Calórico Total (VCT), com redução do consumo de gorduras saturadas (< 3g/100g do alimento) e colesterol. Tentar incluir óleo de oliva, peixe e castanhas na dieta.
👉 Limitar o consumo de alimentos com excesso de sal e o uso de temperos prontos. Preferir ervas e temperos naturais.
Escrito por: Larissa Martinelli
Referências bibliográficas:
DE CARVALHO PADILHA, Patricia; DE LIMA PINHEIRO, Rosilene. O papel dos alimentos funcionais na prevenção e controle do câncer de mama.Revista Brasileira de Cancerologia, v. 50, n. 3, p. 251-260, 2004.
GARÓFOLO, Adriana et al. Dieta e câncer: um enfoque epidemiológico.Revista de Nutrição, 2004.
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